A Grécia deu um passo histórico na noite desta quinta (15) ao se tornar o primeiro país Católico Ortodoxo a legalizar o matrimônio e adoção por casais do mesmo gênero. A lei impulsionada pelo premiê conservador Kyriakos Mitsotakis obteve 176 votos a favor e 76 contra entre os 300 parlamentares. Houve duas abstenções e 46 ausências.
Isso foi possível porque a coalização de Mitsotakis não impediu a tramitação da lei. A maioria dos deputados do Partido Nova Democracia se ausentou ao invés de votar contra. Os demais partidos de centro-direita governistas fizeram o mesmo. Só os ultraconservadores rejeitaram o projeto. A oposição teve um raro momento de unidade ao votar a favor.
Apesar da comemoração pelo feito histórico, ativistas LGBTQIA+ ressaltam a falta de também abarcar pessoas trans na medida para permitir direitos parentais completos a elas.
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A proposta conseguiu vencer a oposição da poderosa Igreja Ortodoxa, ferrenha opositora aos diretos LGBT e religião oficial do Estado. O líder grego sublinhou a permanência do direito religioso em não celebrar casamentos igualitários.
"A lei que estamos apresentando à Assembleia Nacional equipara os cidadãos no que diz respeito ao casamento civil. Repito: contra o casamento civil. Porque o matrimônio religioso é um sacramento religioso e uma questão exclusiva da Igreja, cujas posições o Estado certamente respeita [...]"
Já em resposta aos membros da extrema-direita da Grécia que o acusaram de ser um 'falso conservador', o político de 55 anos traçou uma diferença entre conservadorismo e retrocesso.
"[...] Não confundir conservadorismo com retrocesso. Pois a conservação dos valores a serem preservados é, em última análise, um componente da evolução, não o produto da engenharia social ou do dogma".
Por Victor Hugo Gomes dos Santos
