O parlamento senegalês deu a aprovação final nesta segunda (5) ao projeto que adia por 10 meses as eleições gerais no país do noroeste africano. O anúncio do presidente Macky Sall no sábado (3) de adiar o pleito levou milhares de manifestantes às ruas contra a medida vista como antidemocrática.
O partido governista Aliança Pela República expulsou a oposição da sessão de debate do projeto para conseguir aprová-lo. O líder que desde 2012 preside Senegal justificou o adiamento devido à cassação de dezenas de candidaturas pelo Conselho Constitucional. Os principais oposicionistas, Karim Wade e Ousmane Sonko, foram impedidos de concorrer.
A oposição prometeu recorrer ao Supremo Tribunal e manter os protestos -- especialmente na capital, Dacar -- para tentar fazer a coalizão governista recuar da decisão.
Senegal era visto como um dos exemplos de democracia na África Ocidental, uma região assolada por golpes de Estado e ditaduras. As manobras de Sall de adiar de 25 de fevereiro a 15 de dezembro o sufrágio, o impedido a candidaturas opositoras, corte de internet para frear os protestos e o fechamento de TVs críticas ao governo colocam em xeque a continuidade do Estado de direito senegalês.
Por Victor Hugo Gomes dos Santos

