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Universidades de São Tomé perdem 42% dos estudantes em dois anos

Universidades de São Tomé perdem 42% dos estudantes em dois anos

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As universidades de São Tomé e Príncipe enfrentam um esvaziamento histórico nas salas de aula, com uma queda de 42% nas matrículas nos últimos dois anos. O fenômeno é impulsionado pela emigração massiva de jovens para Portugal e Brasil, a falta de bolsas de estudo que cubram custos básicos de vida e a percepção de que o diploma obtido no país tem menos valor no mercado de trabalho local.

Para o ano letivo de 2025, a Universidade de São Tomé e Príncipe (USTP) abriu 38 cursos, mas não conseguiu preencher as vagas, dispensando até mesmo os exames de admissão por falta de candidatos.

O perfil do estudante que abandona o curso é o de jovens que veem no exterior a única chance de futuro. "Mesmo alunos no terceiro ano acabam indo embora para Lisboa", relata uma pró-reitora da USTP. No entanto, o sonho europeu muitas vezes esbarra na realidade financeira. "A maior parte chega a Lisboa e não tem condições de continuar a estudar porque o ensino é muito caro. Eles não têm dinheiro para pagar os 350 euros mensais de uma universidade portuguesa", alerta a gestora.



Agostinho Rita, reitor do Instituto Universitário de Contabilidade, Administração e Informática (IUCAI), reforça que o problema é sistêmico e exige ação governamental. Segundo ele, as bolsas atuais cobrem apenas as propinas (mensalidades), deixando os alunos desamparados quanto a alimentação, moradia e transporte. "Tem que ser uma bolsa completa. O governo tem mecanismos e contatos internacionais que eu não tenho para viabilizar isso", cobra o reitor.

Entre os estudantes que permanecem, o desânimo é visível. Relatos colhidos no campus descrevem corredores vazios e turmas que começam com 50 alunos e terminam com menos de 20.

"Há pouca valorização de quem se forma aqui. Um aluno que se forma lá fora, quando volta, tem um salário e um status profissional mais elevado, mesmo que a formação seja básica", desabafa um estudante do primeiro ano. Essa percepção alimenta o ciclo vicioso: sem alunos, as universidades têm dificuldade em justificar investimentos em laboratórios e infraestrutura, o que, por sua vez, afasta novos ingressantes.

OPORTUNIDADES NO BRASIL

Com o endurecimento das políticas migratórias lusitanas, os discentes são-tomenses tem olhado para o vizinho do Oeste: o Brasil. A principal porta de entrada para estudantes de São Tomé e Príncipe cursarem o ensino superior gratuitamente no Brasil é o Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), que oferta vagas em universidades públicas federais e estaduais sem cobrança de mensalidade. 

Uma vez no país, os alunos estrangeiros que comprovem carência financeira podem pleitear bolsas de manutenção, como o Projeto Milton Santos de Acesso ao Ensino Superior (Promisaes), oferecido pelo Ministério da Educação (MEC), que concede auxílio financeiro mensal justamente para custear despesas com moradia e alimentação. As dezenas de universidades brasileiras são reconhecidas pela qualidade, tornando um atrativo a mais aos discentes.

Para participar, os interessados devem procurar a Embaixada do Brasil em São Tomé para realizar a inscrição nos editais anuais, sendo necessário apresentar histórico escolar de bom desempenho e atender aos requisitos socioeconômicos do programa.

Foto: USTP e UnB (Universidade de Brasília)
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