Após décadas dependendo quase exclusivamente da exportação de petróleo, o governo de Angola lançou uma ofensiva para diversificar a economia através da agricultura. O objetivo é reduzir a conta bilionária de importações. Atualmente a nação africana compra do exterior mais de 50% dos alimentos que consome, impedindo a garantia da segurança alimentar da população.
"Mais do que segurança alimentar, é uma questão de sobrevivência do nosso povo", afirmam autoridades locais. A meta é que, com produção interna, seja possível oferecer produtos de qualidade a preços acessíveis, algo que a dependência de mercados estrangeiros não garante.
A "Maldição" do Ouro Negro
A descoberta de petróleo na década de 1950 transformou a capital, Luanda, e trouxe um fluxo massivo de divisas estrangeiras. Sendo um dos maiores produtores de combustíveis fósseis do continente africano, Angola teve acesso a câmbio facilitado por muito tempo, tornando a importação de comida mais barata e prática do que o cultivo local.
Esse cenário fez com que o potencial agrícola fosse esquecido. Agora, em províncias como Benguela, o foco é reverter esse quadro investindo em tecnologia. Novas máquinas de moagem automatizadas privadas já estão em operação, processando grãos como trigo, milho e arroz. O processo transforma as colheitas brutas em alimento para as famílias e utiliza subprodutos para ração animal.
O desafio, no entanto, é estrutural. A guerra civil de 27 anos devastou as terras aráveis e a infraestrutura agrícola do país. Embora o governo e a iniciativa privada tenham começado a fornecer equipamentos de irrigação e treinamento, o apoio ainda é insuficiente para a demanda.
O setor agrícola tornou-se também uma esperança para os jovens angolanos, que veem no campo uma saída para o desemprego crônico. Porém, pequenos agricultores relatam dificuldades: "Cultivar em larga escala quando não se tem dinheiro é difícil", lamentam produtores locais, que aguardam que as promessas de diversificação econômica se convertam em crédito e lucro real.
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