Maior partido da oposição lança estratégia de reorganização interna para driblar crise eleitoral.
Reportagem: Victor Hugo
De olho nas eleições gerais de 2026, o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP) decidiu mudar sua estratégia para tentar recuperar o poder. O maior partido de oposição do país anunciou a realização de eleições primárias para escolher seu candidato presidencial. A medida visa mobilizar as bases partidárias e encerrar um longo ciclo de derrotas nas urnas.
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A direção do partido reconhece a gravidade do cenário atual. Apesar de ser a sigla histórica da independência, o MLSTP amarga um jejum de 23 anos sem vencer uma eleição legislativa. Segundo o Secretário-Geral da sigla, Arlindo Barbosa, o histórico recente é preocupante: "Durante a democracia, apenas elegemos um Presidente da República, e mesmo assim como candidato independente, o nosso presidente honorário Manuel Pinto da Costa".
Para reverter esse quadro, a aposta é a democratização interna. O processo de escolha do candidato à presidência envolverá votações em todos os distritos do arquipélago, incluindo na Região Autônoma do Príncipe.
"Esses candidatos serão avaliados e votados em todos os distritos. Aquele que obtiver o maior número de votos será o candidato apoiado pelo MLSTP", explicou Barbosa. A manobra tenta reconectar a liderança com a militância e legitimar o nome escolhido para o pleito nacional.
Unidade interna
Além das primárias, o partido enfrenta o desafio de curar feridas por disputas internas. A liderança reuniu-se recentemente com responsáveis por um "fórum de reflexão". O grupo foi criado para incluir vozes dissonantes e críticas à atual gestão partidária buscando consensos.
O objetivo é integrar recomendações que pedem mais agilidade e aproximação com o eleitorado. "Estamos a seguir a nossa agenda, mas também admitimos opiniões contrárias que defendem maior aceleração", afirmou o Secretário-Geral, sinalizando que a coesão interna é vista como pré-requisito obrigatório para qualquer chance de vitória em 2026.
