Kwacha valorizou quase 10% no início de 2026 impulsionado pela alta do cobre;
Reportagem de Victor Hugo
A moeda da Zâmbia, o kwacha, conquistou o título de cédula com melhor desempenho global no início de 2026, superando divisas fortes e emergentes.
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O principal motor dessa valorização é a disparada no preço do cobre, principal produto de exportação do país. Os contratos futuros de três meses do metal subiram cerca de 5% nesta semana, beneficiando diretamente a Zâmbia. O país do sul da África ocupa o posto de segundo maior produtor de cobre do continente. No entanto, analistas apontam que a mudança estrutural mais significativa vem da política monetária e fiscal. O banco central zambiano confirmou que, desde outubro, o yuan chinês passou a ser aceito para o pagamento de impostos de mineração, tornando a Zâmbia a primeira nação africana a adotar a medida.
Essa decisão cria um ciclo econômico favorável para o país de 21 milhões de habitantes. Como a China é a maior compradora do cobre zambiano e também uma das maiores credoras da nação, o recolhimento de impostos diretamente em yuan facilita o pagamento da dívida externa com Pequim. Ao eliminar a necessidade de converter kwachas em dólares para depois pagar os chineses, o governo economiza em taxas de câmbio e reduz a demanda pela moeda dos Estados Unidos, fortalecendo a divisa local.
Além do fator China, medidas internas aceleraram a valorização. Uma diretiva do banco central emitida em 26 de dezembro forçou organizações a converterem moeda estrangeira em kwacha para liquidar impostos e financiar operações de ano novo. O cenário é amplificado pela fraqueza global do dólar, que caiu mais de 9% nos últimos 12 meses em meio a incertezas econômicas nos Estados Unidos.
O modelo zambiano já começa a influenciar vizinhos, servindo como um campo de testes para a internacionalização do Yuan. O Quênia reestruturou uma dívida ferroviária de 5 bilhões de dólares estadunidenses para a moeda chinesa, economizando milhões em conversão monetária. A Etiópia estuda seguir o mesmo caminho. Enquanto as nações africanas buscam cooperação econômica com potências como China e Rússia, a ordem financeira global baseada no dólar enfrenta um de seus maiores desafios em décadas.
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