O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agendou uma reunião decisiva para esta terça-feira (13) com a alta cúpula de segurança dos Estados Unidos para definir a resposta estadunidense aos protestos em massa no Irã. Segundo oficiais da Casa Branca, o presidente considera seriamente uma reprimenda severa ao regime de Teerã devido à violenta repressão contra manifestantes, avaliando desde novas sanções econômicas até ataques militares diretos.
O encontro contará com a presença do Secretário de Estado, Marco Rubio, do Secretário de Defesa, Pete Hegseth, e do Chefe do Estado-Maior Conjunto, General Dan Caine. O objetivo é discutir o "próximo passo" após Trump declarar que o regime iraniano começou a cruzar sua "linha vermelha" ao matar civis.
"Estamos analisando algumas opções muito fortes", declarou Trump a repórteres no Air Force One no domingo (11). O presidente alertou que, caso o Irã retalie visando tropas estadunidense na região, seu governo atingirá o país "em níveis nunca antes vistos".
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Embora uma decisão final não seja esperada imediatamente, os assessores já preparam memorandos com alvos militares e estratégias econômicas. Entre as opções não letais, discute-se o envio de terminais de internet via satélite Starlink, de Elon Musk, para ajudar os manifestantes a contornar o corte de internet imposto pelo aiatolá Ali Khamenei. Trump confirmou que falará com Musk sobre a viabilidade da operação.
Outras medidas em pauta incluem:
Armas cibernéticas secretas: Implantação contra infraestrutura militar e civil iraniana.
Guerra de informação: Impulsionamento de fontes antigoverno digitalmente.
Ataques cinéticos: Bombardeios a alvos estratégicos, repetindo a lógica usada em agosto, quando bombardeiros B-2 danificaram instalações nucleares do país.
"Efeito Venezuela"
A postura agressiva de Trump é impulsionada pela avaliação de sucesso recente de operações militares no exterior, incluindo a missão que depôs o presidente Nicolás Maduro do poder na Venezuela. O Departamento de Estado publicou nas redes sociais "Não brinquem com o presidente Trump. Quando ele diz que fará algo, ele faz".
No entanto, há cautela em alas da Casa Branca. Oficiais temem que uma ação direta dos EUA ou de Israel valide a propaganda do regime de que os protestos são uma conspiração externa. Além disso, o Pentágono ainda não posicionou novos ativos na região. O porta-aviões USS Gerald R. Ford foi recentemente movido para a América Latina, deixando uma lacuna temporária de grandes embarcações no Oriente Médio.
Os protestos, iniciados em 8 de janeiro por questões econômicas, evoluíram para uma revolta nacional contra o governo religioso. Segundo ativistas de direitos humanos, mais de 500 pessoas já morreram. O procurador-geral do Irã, Mohammad Movahedi Azad, classificou os manifestantes como "inimigos de Deus", crime passível de pena de morte.
Enquanto o presidente do parlamento iraniano ameaça atacar bases estadunidense caso Washington aja primeiro, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, sinalizou que ainda há espaço para diplomacia caso o Irã aceite renegociar seu programa nuclear, uma oferta que Teerã tem ignorado nos últimos meses.

