O governo Donald Trump revelou que a operação militar realizada no sábado para depor Nicolás Maduro do poder na Venezuela tem o objetivo econômico central de pavimentar o caminho para que as empresas de petróleo dos Estados Unidos retomem o controle sobre as vastas reservas energéticas do país latino-americano.
Em coletiva de imprensa em Mar-a-Lago no sábado (3) após o ataque, o presidente estadunidense abandonou a retórica focada no combate ao narcotráfico e foi direto ao ponto financeiro. "Nossas grandes empresas de petróleo, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura quebrada e começar a ganhar dinheiro", declarou Trump.
A estratégia marca uma mudança na política externa estadunidense , tratando o petróleo explicitamente como espólio de guerra. O líder dos Estados Unidos afirmou que pretende reter parte dos lucros da extração petrolífera como suposto "reembolso pelos danos causados", ecoando posições que defendeu no passado sobre conflitos no Iraque e na Síria.
O Desafio do Retorno
Apesar do otimismo da Casa Branca, o retorno das petroleiras de Washington enfrenta obstáculos severos. Atualmente, apenas a Chevron mantém operações significativas no país, empregando cerca de 3 mil pessoas em parceiras locais.
Outras gigantes, como Exxon Mobil e ConocoPhillips, deixaram a Venezuela em 2007 após as nacionalizações promovidas por Hugo Chávez, o que resultou em batalhas jurídicas bilionárias. Analistas alertam que a instabilidade política e jurídica, somada a décadas de má gestão e corrupção na estatal PDVSA, exigirá cautela dos investidores.
O cenário de mercado também joga contra. Com o preço do petróleo nos país norte-americano oscilando abaixo de US$ 60 o barril e a oferta global em alta, o incentivo para investir na Venezuela diminui. Ali Moshiri, ex-chefe da Chevron para a América Latina, questiona a viabilidade imediata: "No ambiente atual, você investiria na Bacia do Permiano [nos EUA] ou na Venezuela? É uma escolha difícil".
Além disso, a recuperação da indústria exigiria um esforço monumental. O economista Orlando Ochoa descreve a necessidade de um verdadeiro "Plano Marshall" para reconstruir instalações enferrujadas e atrair de volta profissionais qualificados que fugiram do regime autoritário. É preciso reestruturar uma dívida externa de US$ 160 bilhões e reformar leis locais para garantir segurança jurídica.
Interesse Estratégico
Apesar das dificuldades, o petróleo venezuelano continua sendo um ativo estratégico. As reservas provadas do país superam 300 bilhões de barris. Além disso, o óleo cru pesado da Venezuela é ideal para refinarias do Golfo do México, controlado pelos estadunidense , China e Índia, que conseguem extrair mais lucro desse tipo de produto do que do petróleo de xisto leve produzido pelos Estados Unidos.
Imagens: Casa Branca


