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Ex-ministro chama presidente de São Tomé e Príncipe de "covarde e medroso"

Ex-ministro chama presidente de São Tomé e Príncipe de "covarde e medroso"

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O ex-ministro da Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural de São Tomé e Príncipe, Abel Bom Jesus, fez críticas severas ao presidente são-tomense, Carlos Vila Nova. Em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, ele classificou o chefe de Estado como "covarde e medroso" por não conseguir tomar decisões no exercício de suas funções.

Abel Bom Jesus acusou o presidente de promover perseguições políticas no país. "O Presidente Carlos Vila Nova é tão covarde, tão medroso […] eu não conheço nenhum político em São Tomé mais medroso que o Presidente Vila Nova", declarou o ex-ministro durante a live no domingo.

Ele ainda enfatizou que o poder presidencial deve ser usado para o bem do povo. "O poder que o senhor tem não é o seu, é o poder que lhe foi conferido pelo povo para fazer bem ao povo, não é para perseguir, não é para humilhar, não é para massacrar", acrescentou.

O ex-membro do Executivo foi além e acusou o presidente de estar ligado a "acontecimentos macabros" no arquepélago. "Todos os acontecimentos macabros que têm estado a acontecer em São Tomé e Príncipe têm o dedo do Presidente Vila Nova. Eu digo e assumo, eu não estou aqui para lhe insultar, não vim aqui insultar o Presidente, porque querendo ou não o senhor ainda nos representa", declarou Abel Bom Jesus.

Contexto da Crise

Abel Bom Jesus foi ministro da Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural no Governo do ex-premiê Patrice Trovoada, entre 2022 e 2025. Ele foi demitido por Carlos Vila Nova em janeiro, o que intensificou as tensões políticas no arquipélago.

Durante a transmissão, o ex-ministro questionou a atuação do chefe de Estado e a forma como exerce o poder. "[...] podem me perseguir, vocês sabem quem é Abel Bom Jesus, eu não desisto daquilo que eu quero, e como a moeda tem duas faces, hoje o senhor está nessa posição, e quem lhe garante que amanhã o senhor estará? Então pense e repense, o senhor é Presidente da República, o mais alto magistrado da nação, deveria ser o exemplo para muitos de nós", disse.

O ex-ministro comparou o momento político atual com o período do governo de Jorge Bom Jesus, entre 2018 e 2022. Segundo ele, a situação atual é mais grave. "Eu fui perseguido no governo de Jorge Bom Jesus, mas eu confesso-vos que não foi o que nós estamos a viver agora, porque o Presidente Vila Nova é muito mais fraco ainda do que Jorge Bom Jesus", referiu.

Abel Bom Jesus justificou sua avaliação afirmando que o presidente não consegue controlar suas emoções nem tomar decisões importantes. "Porque ele não consegue controlar as suas emoções, não consegue tomar as decisões, não consegue acima de tudo aproveitar as oportunidades que ele está a ter. Tirou o Patrice Trovoada, tudo bem, mas prova ao povo que o problema é o Patrice Trovoada, não conseguiu, agora está a perseguir Patrice Trovoada para não entrar no país", adiantou.

Críticas ao Tribunal Constitucional e Partidos Políticos

Além de atacar o chefe de Estado, Abel Bom Jesus criticou também as decisões do Tribunal Constitucional e a atuação de forças políticas. Ele acusou partidos como o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), BASTA e alguns membros da Ação Democrática (ADI) que apoiam o atual governo de influenciarem interpretações da lei.

O ex-chefe da Agricultura completou dizendo que "muitos são-tomenses não entendem até hoje é que o cargo de chefia não é vitalício, depende ou da situação política ou do tempo que você está lá para cumprir, é isso". Ele sublinhou que os cargos políticos "não são vitalícios" e devem refletir a alternância de poder no Estado.

As declarações de Abel Bom Jesus revelam o nível de tensão política em São Tomé e Príncipe. A crise entre o Presidente Carlos Vila Nova e figuras do governo anterior de Patrice Trovoada continua se intensificando, com acusações de perseguição política e questionamentos sobre o exercício do poder presidencial.
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