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Governo de São Tomé admite que geradores não são novos e têm capacidade inferior a anunciada

Governo de São Tomé admite que geradores não são novos e têm capacidade inferior a anunciada

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O premiê de São Tomé e Príncipe, Américo Ramos, confirmou a denúncia do ex-diretor da Emae [Empresa de Água e Eletricidade] e admitiu pela primeira vez que os quatro geradores que chegaram ao país no mês passado não têm a capacidade de produzir os 10 megawatts prometidos. Ele revelou ainda que os equipamentos foram fornecidos por um interessado no programa de cidadania por investimento.

Capacidade Inferior

"Nesse grupo que o ministro inicialmente anunciou de 10 megas, os que chegaram são cerca de 7 megas. Quer dizer que haverá a chegada de mais alguns para completar os 10 megas que nós negociámos com o parceiro para nos fornecer", revelou Américo Ramos em coletiva de imprensa na sexta-feira (27).

O chefe de governo explicou que os geradores foram adquiridos por um "parceiro" - cujo nome não foi revelado - no âmbito do programa "cidadania por investimento ou doação", para depois ser reembolsado pelo executivo.

"Nesse momento não houve nenhum pagamento na aquisição desses geradores […], será avaliado o valor real desses geradores, em conformidade com o mercado e depois o governo irá assumir esse pagamento", disse Américo Ramos. Ele rejeitou a acusação de subfaturamento denunciada pelo ex-diretor da Emae.

Segundo o político, os geradores que chegaram ao país no final do mês passado ainda não foram instalados. Eles aguardam pela chegada, no sábado, de especialistas enviados pelo "parceiro" para a certificação da capacidade e o real estado dos equipamentos, antes de intervenções para adequá-los à rede nacional.


Anúncio Inicial

No mês passado, o Governo são-tomense recebeu quatro geradores e anunciou que eram novos e tinham capacidade de 10 megawatts, sendo 2,5 cada. Isso representaria a conclusão da "fase imediata de reforço da capacidade térmica nacional".

No entanto, dias após ser demitido, o ex-diretor da estatal Emae, Raúl Cravid, denunciou que os quatro geradores não eram novos e não tinham a capacidade de 10 megawatts como anunciado pelo Executivo.

O chefe de governo prometeu que disponibilizará todas as informações sobre a aquisição e o estado dos geradores para conhecimento público.Américo Ramos admitiu não ter uma data para o fim da crise energética que dura há mais de sete meses, apesar de terem chegado ao arquipélago mais de 10 geradores nos últimos três meses.

"Ainda temos alguma dificuldade de fechar essa situação de normalização da energia. Nós importámos novos geradores, mas é preciso dizer que o parque de geradores da Emae são todos obsoletos, muitos deles com mais de 10 anos, e as avarias são constantes" e "requerem manutenção constante", disse Américo Ramos.


Origem da Crise

A crise energética voltou a instalar-se em São Tomé e Príncipe com cortes constantes e prolongados de eletricidade desde agosto do ano passado. Isso ocorreu quando a empresa Tesla STP, de investidores turcos, suspendeu unilateralmente o contrato de cerca de R$ 2,7 milhões por mês (455 mil euros), alegando dívidas acumuladas pelas autoridades são-tomenses.

A população das ilhas a 2 mil quilômetros do arquipélago brasileiro de São Pedro continua enfrentando cortes frequentes de energia enquanto o governo tenta para normalizar o fornecimento. A instalação dos novos geradores e a manutenção do parque existente são taxados como prioridades para resolver a crise que afeta o país há meses. O governante prometeu transparência sobre todo o processo de aquisição dos equipamentos e o estado real dos geradores recebidos.
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