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Em um ano de governo, Trump realizou maior número de ataques militares dos EUA em duas décadas

Em um ano de governo, Trump realizou maior número de ataques militares dos EUA em duas décadas

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Após prometer menos conflitos e menor envolvimento militar em guerras distantes sob o lema "Estados Unidos Primeiro", Donald Trump expandiu drasticamente as operações militares dos Estados Unidos durante seu segundo mandato. Quatorze meses após assumir a presidência em 2025, o mapa das operações militares estadunidenses se estendeu por boa parte do planeta, com ataques em sete países diferentes.


Ataque ao Irã


O atual ataque ao Irã representa a maior operação militar estrangeira do governo Trump e a mais ilegal de todas, segundo grande quantidade de especialistas em direito internacional. Desde janeiro de 2025, os Estados Unidos realizaram ataques militares em sete países distintos, incluindo o Irã, em duas fases distintas.

O momento mais delicado chegou em junho de 2025, quando o Agência Internacional de Energia Atômica declarou que o Irã estava violando seus compromissos de não-proliferação nuclear e estava a duas semanas de conseguir o enriquecimento de urânio necessário a uma bomba nuclear.

No dia seguinte, Benjamin Netanyahu lançou uma operação militar contra Teerã dirigida a instalações nucleares e os principais líderes militares e de inteligência. Os Estados Unidos se somaram à missão israelense e lançaram a operação militar "Martelo da Meia-noite" contra instalações do programa nuclear iraniano.

Bombarderos B2 e mísseis de cruzeiro atacaram três centros chave: Fordow, Natanz e o complexo nuclear de Isfahan. Era o primeiro ataque direto dos Estados Unidos contra território iraniano desde a Revolução Iraniana de 1979. A Casa Branca assegurou que o objetivo era impedir que o Irã seguisse avançando até a capacidade de produzir armas nucleares.

Operação Fúria Épica


Finalmente, em 28 de fevereiro de 2026, depois de semanas de acumular tropas na Ásia Central perto do Irã, Trump lançou a operação "Fúria Épica" contra a teocracia, a maior operação militar da presidência de Donald Jay Trump até aqui. Esta é a última de uma cadeia de bombardeios distribuída por sete países distintos.

Antes de atacar o Irã, Trump já havia superado seus antecessores com 573 ataques realizados em sete países até 5 de janeiro de 2026. Em oito anos, Barack Obama lançou 563 ofensivas militares e Joe Biden 555. Em seu primeiro mandato, Trump havia sido o presidente a menos ordenar ataques em duas décadas, com 302 operações.

Somália


A primeira operação militar chegou apenas algumas semanas depois da posse. Em 1 de fevereiro de 2025, os Estados Unidos lançaram um ataque aéreo contra a Somália, contra um comandante do Estado Islâmico. Foi o início de uma campanha militar que se intensificou durante o resto do ano.

A Somália se converteu em um dos principais cenários da luta estadunidense contra o terrorismo na África. Ali operam tanto Al Shabab, vinculado à Al Qaeda, como uma filial local do Estado Islâmico. Os Estados Unidos tiveram operações ali desde que George Bush iniciou a chamada "guerra ao terror" depois dos ataques de 11 de setembro.

Trump aumentou drasticamente a escala destas operações. Só em 2025 houve mais operações que durante os 20 anos das administrações de Bush, Obama e Biden juntas, segundo o Conselho de Relações Exteriores.

Iraque e Síria


No Iraque e Síria, a guerra contra o Estado Islâmico são frentes abertas prévias a Trump que o atual presidente tampouco fechou. Embora o califado foi derrotado em 2019, as células do grupo seguem ativas em zonas desérticas de ambos os países.

Em março de 2025, os Estados Unidos executaram uma operação no Iraque, onde acabaram com Abdallah Maki Musli Alrify, um dos líderes dos jihadistas, responsável pelas operações e financiamento globais do grupo.

Em dezembro, após a morte de soldados estadunidenses na Síria, o exército lançou uma nova onda de ataques contra posições do grupo, incluída a infraestrutura conhecida do Estado Islâmico e depósitos de armas em todo o centro da Síria. As forças estadunidenses já haviam levado a cabo quase 80 operações contra ISIS na Síria nos seis meses anteriores, matando 14 militantes, incluídos altos líderes.

Nigéria


Em 25 de dezembro de 2025, os Estados Unidos levaram a campanha contra o Estado Islâmico a outro país, a Nigéria. Nesse dia, a aviação estadunidense atacou posições do grupo no norte da Nigéria, no estado de Sokoto. A Casa Branca justificou a operação como resposta a uma série de supostos massacres contra comunidades cristãs nessa região. 

Com a Nigéria, a lista de países bombardeados já chega a quatro. Dentro da galáxia que sustenta economicamente e popularmente o governo Trump estão muitos grupúsculos cristãos-evangélicos que tomaram a teoria do genocídio dos cristãos na Nigéria como fato. Apesar disso, os maiores ataques dos fundamentalistas no país africano acontecem em regiões de maioria islâmica.

Iêmen


No início de 2025, outro conflito começou a ocupar cada vez mais espaço na agenda militar de Washington, o Mar Vermelho, uma das rotas comerciais mais importantes do planeta. Durante meses, os rebeldes hutis do Iêmen, aliados do Irã, haviam lançado ataques contra barcos que cruzavam essa zona.

Os Estados Unidos responderam com uma campanha de bombardeios contra instalações dos hutis dentro do país da Ásia central. O objetivo era proteger o tráfego marítimo e evitar que o conflito regional se estendesse ainda mais. Os ataques destruíram radares, lançadores de mísseis e armazéns de armas, mas também provocaram denúncias de vítimas civis por parte de organizações de direitos humanos na zona de ataque.

Venezuela


Desde o final de 2025, a atenção de Washington começou a se deslocar para outro cenário muito distinto, o Caribe --- especialmente a Venezuela. Os Estados Unidos a anos acusam o governo de Nicolás Maduro de colaborar com redes internacionais de narcotráfico. Trump chegou a qualificar o regime venezuelano como uma organização narcoterrorista.

Em setembro de 2025, a administração Trump mobilizou parte da Marinha, incluído seu porta-aviões mais famoso, para começar a destruir supostas narcolanchas no mar do Caribe. Muitos especialistas estadunidenses e internacionais viram uma ação militar legalmente duvidosa ao longo da escalada bélica.

Em 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos lançaram uma operação militar contra objetivos no norte da Venezuela. Mais de 150 aviões participaram em bombardeios que terminaram com a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, transferido posteriormente aos Estados Unidos para ser julgado por narcotráfico.

Contradições


Esta cadeia de operações militares que vai desde a luta contra o terrorismo até o enfrentamento com o Irã ou o narcotráfico na América Latina não parecem em linha com o que disse Trump quando foi reeleito em 2024.

Em seu primeiro mandato, Trump foi um presidente apartado de guerras. Porém, nesta segunda passagem epla Casa Branca, há uma outra tendência. O estadunidense seguiu a ideia de sair de zonas de influência que considera que não são suas, como por exemplo Ucrânia, enquanto os Estados Unidos se dedica ao que considera sua zona de influência.

Muitos especialistas questionam se Trump caiu na mesma armadilha em que caem todos os presidentes estadunidenses de, ao invés de olhar para a China, se afundam no Oriente Médio. Isso é o que parece que passou agora com o Irã.
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