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Socialistas espanhóis sofrem derrota em bastião histórico

Socialistas espanhóis sofrem derrota em bastião histórico

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Reportagem de Victor Hugo

O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) sofreu uma derrota sem precedentes neste domingo (21) em um de seus mais tradicionais redutos eleitorais. Na comunidade autônoma de Extremadura, uma das 17 unidades federativas da Espanha, os socialistas amargaram o pior resultado de sua história centenária, perdendo dez deputados na Assembleia Autônoma.

A derrocada da centro-esquerda abriu caminho para a vitória da centro-direita, o Partido Popular (PP), liderado pela atual presidenta de Extremadura, María Guardiola. No entanto, o triunfo teve um sabor amargo por conseguir só um assento a mais do que há dois anos. A antecipação das eleições foi uma manobra arriscada de Guardiola para tentar conquistar a maioria absoluta e se livrar da dependência do partido de extrema-direita Vox, o que não ocorreu. Apesar de obter o melhor resultado da história do PP na autonomia, a governabilidade continuará condicionada ao apoio dos ultraconservadores.

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Os números confirmam a catástrofe para a esquerda espanhola. O PSOE, que governou Extremadura por 33 anos e mantinha força mesmo em tempos difíceis, caiu para 25,79% dos votos, uma retração de 14 pontos percentuais em relação a última eleição em 2023. A legenda, que havia empatado com o PP em 28 cadeiras no pleito anterior, agora assegurou apenas 18 assentos.

O candidato socialista, Miguel Ángel Gallardo, admitiu a gravidade da situação. "O resultado do PSOE é muito ruim. Destaco isso sem paliativos", declarou em coletiva de imprensa. Embora tenha evitado renunciar à presidência regional do partido na noite eleitoral, afirmando que o que menos o preocupa é seu futuro, a direção nacional do partido em Madri, na sede Ferraz, já sinaliza que seu destino será decidido em uma reunião da executiva nesta segunda-feira (22).

A campanha socialista enfrentou uma "tempestade perfeita". Gallardo foi às urnas processado e envolvido em escândalos de corrupção, incluindo investigações sobre a suposta contratação irregular do irmão do premiê da Espanha Pedro Sánchez.

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Em Madri, a estratégia da cúpula do PSOE é de contenção de danos ao restringir a derrota à figura de Gallardo e evitar que o desastre contamine a imagem de Sánchez ou a gestão do governo central. A ordem é tratar o revés como um caso local desvinculado do ciclo eleitoral nacional.

EXTREMA-DIREITA CRESCE

Do outro lado, o Partido Popular celebrou a vitória com 43% dos votos e 29 deputados, um a mais que em 2023. Foi o melhor desempenho da sigla na região, mas insuficiente para o objetivo estratégico de María Guardiola. A líder extremenha precisava de 33 cadeiras no parlamento local para governar sozinha e romper com o Vox.

Ao falhar na conquista da maioria absoluta, Guardiola vê a extrema direita sair fortalecida. O Vox disparou nas urnas e agora detém a chave para decidir não apenas se investirá Guardiola como presidenta, mas terá poder de veto e influência determinante sobre as políticas públicas da nova legislatura.

O cenário pós-eleitoral em Extremadura desenha um quadro complexo para a Espanha com um socialismo em crise de identidade e de liderança regional, e uma direita tradicional que, mesmo vitoriosa, não consegue se desvencilhar da dependência da direita radical.


Fotos: Prensa PSOE/ Prensa PP

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