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Vice-presidente da Assembleia de São Tomé abandona bancada governista

Vice-presidente da Assembleia de São Tomé abandona bancada governista

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Rompimento de Abnildo d'Oliveira agrava tensão no maior partido do país; oposição se mobiliza com primárias inéditas visando as eleições de 2026.

Reportagem de Victor Hugo

A crise interna na Ação Democrática Independente (ADI), partido governista de São Tomé e Príncipe, atingiu um nível crítico nesta semana com a saída de Abnildo d'Oliveira da bancada parlamentar da legenda. O político, que atualmente exerce a função de presidente interino da Assembleia Nacional devido à ausência prolongada da titular Celmira Sacramento, formalizou sua decisão por meio de carta à mesa diretora. O deputado passa a atuar agora como independente.

A decisão de d'Oliveira possui implicações institucionais e políticas para o arquipélago. Em conversa com a imprensa local, Abnildo d'Oliveira reconheceu que, ao deixar a bancada da ADI, perde automaticamente a condição de primeiro vice-presidente da Assembleia de São Tomé e Príncipe. Pela legislação são-tomense, os cargos de presidente e vice-presidente do Parlamento pertencem obrigatoriamente ao partido mais votado nas eleições legislativas. O afastamento ocorre em um momento de vácuo de liderança física, já que o presidente do partido, Patrice Trovoada, reside no exterior. O cenário, segundo fontes ligas à política local, transformou a sigla em um "caldeirão" de disputas entre alas rivais e conflitos pessoais.

Oposição se mobiliza

Enquanto o maior partido do país enfrenta uma luta interna sem tréguas, a oposição começa a se reorganizar visando o pleito de 2026. O Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), partido histórico da independência, anunciou uma mudança estratégica para tentar recuperar o poder após um longo jejum de vitórias legislativas que já dura 23 anos. A legenda decidiu realizar eleições primárias para a escolha de seu candidato presidencial, uma medida inédita destinada a mobilizar as bases e superar o histórico recente de derrotas.

A direção do MLSTP admite a gravidade do cenário político e a necessidade de renovação. O Secretário-Geral do partido, Arlindo Barbosa, recordou que, durante o período democrático, a sigla elegeu apenas um Presidente da República, Manuel Pinto da Costa, que concorreu como candidato independente. Com a turbulência na base governista da ADI e a reorganização da oposição, o cenário político de São Tomé e Príncipe entra em uma fase de incerteza e realinhamento de forças.

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