O Conselho Superior de Defesa Nacional de São Tomé e Príncipe determinou o afastamento imediato de todos os militares que estão réus no inquérito sobre a tortura e morte de quatro civis. O caso no arquipélago a 3 mil quilômetros do Brasil aconteceu dentro do quartel do exército em 25 de novembro deste ano. As autoridades classificaram como uma tentativa de golpe de Estado fracassada o motim militar.
A decisão atinge diretamente a alta cúpula das Forças Armadas são-tomenses. Entre os suspensos estão o Inspetor-Geral das Forças Armadas, Coronel José Maria Menezes, e o Comandante da Guarda Costeira, Capitão de Mar e Guerra Armindo Rodrigues.
O anúncio foi feito por Virgílio Mandinga, secretário do Conselho. Segundo ele, a medida visa garantir a transparência do processo, embora assegure a manutenção de salários e "regalias de direito" dos oficiais enquanto durarem as investigações. A reunião que selou os afastamentos foi presidida pelo próprio Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, Carlos Vila Nova, e contou com a presença dos oficiais agora suspensos.
REESTRUTURAÇÃO
Abordado após a reunião, o Capitão de Mar e Guerra Armindo Rodrigues, conhecido como Comandante Armindo, reagiu afirmando: "Sou um militar republicano e não posso comentar essas decisões. São decisões políticas e não me cabe comentá-las", afirmou Rodrigues. No entanto, o oficial não escondeu o incômodo por estar no centro das atenções ao se declarar injustiçado: "Sou a peça fundamental mais fustigada no caso 25 de novembro e é preciso esclarecer isso".
Ao mesmo tempo em que afasta os investigados, o governo tenta reestruturar a cadeia de comando. O Conselho deu parecer favorável à nomeação definitiva do Coronel Virgílio Pontes para o cargo de Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. Pontes já ocupava a função interinamente desde a exoneração do ex-Brigadeiro-General João Pedro Cravid. Caberá a ele conduzir as novas nomeações técnicas e administrativas para preencher as lacunas deixadas pelos afastamentos.
A gravidade da situação é sublinhada pela atuação do Ministério Público local, que acusou formalmente 23 militares por crimes relacionados ao ataque ao quartel e aos abusos subsequentes. As mortes dos quatro civis sob custódia militar geraram pressão internacional e interna por responsabilização, transformando a suposta tentativa de golpe em uma crise de direitos humanos no país.
A gravidade da situação é sublinhada pela atuação do Ministério Público local, que acusou formalmente 23 militares por crimes relacionados ao ataque ao quartel e aos abusos subsequentes. As mortes dos quatro civis sob custódia militar geraram pressão internacional e interna por responsabilização, transformando a suposta tentativa de golpe em uma crise de direitos humanos no país.
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